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Ex-BOPE que inspirou Capitão Nascimento faz alerta sobre domínio territorial pelas facções na Bahia: ‘É uma tragédia humanitária’

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O ex-capitão do BOPE e especialista em segurança pública Rodrigo Pimentel publicou nesta sexta-feira (22) um vídeo nas redes sociais em que faz um duro alerta sobre o avanço do domínio territorial de facções criminosas na Bahia. Ao comentar episódios recentes de extrema violência registrados no estado, Pimentel classificou o cenário como uma “tragédia humanitária” e afirmou que as organizações criminosas atuam hoje com sensação de controle absoluto sobre determinadas regiões.

No vídeo, o especialista, que inspirou o personagem Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite, utiliza como exemplo imagens de um ataque ocorrido durante o velório de um adolescente ligado a uma facção, quando criminosos de uma facção rival invadiram um cemitério e dispararam contra o caixão em plena luz do dia, provocando correria e pânico entre os presentes.

“Você quer entender exatamente o que é domínio territorial? Veja essas imagens da Bahia, em plena luz do dia, durante um velório de um traficante menor de idade. Facção rival ataca o cemitério e metralha o caixão, causando um pânico generalizado na cidade”, declarou.

Segundo Rodrigo Pimentel, a ousadia da ação demonstra que os grupos criminosos acreditam ter controle pleno do território e ausência de resposta efetiva do Estado. “Certamente, essa facção só vai operar dessa forma, com tamanha ousadia, se ela entender que domina plenamente o território e que nada vai acontecer durante essa ação. Esse é um sintoma clássico do domínio territorial. Isso é muito grave”, afirmou.

O ex-capitão do BOPE também citou outro caso recente ocorrido em Alagoinhas, onde um casal foi assassinado em meio a uma disputa envolvendo facções criminosas. Segundo ele, um bebê recém-nascido também acabou sendo vítima da violência. “Um casal é assassinado pela facção rival em função de uma dívida na cidade de Alagoinhas. Esse casal é assassinado e um bebê recém-nascido também paga pelos pais. Essa é a situação atual da Bahia”, disse.

Ao longo da publicação, Pimentel questiona a capacidade de reversão do cenário a curto prazo e faz críticas à política de segurança pública no estado e no país. Ele afirma que a Bahia possui, proporcionalmente, uma das menores populações carcerárias do Brasil e defende ações simultâneas e mais duras para retomada dos territórios dominados pelo crime organizado.

“Sinceramente, eu não sei se isso pode ser revertido a curto prazo. São necessárias várias ações contempladas ao mesmo tempo. A Bahia é o estado que menos prende no Brasil. Então, se você quer compreender o que é domínio territorial, veja esses vídeos, essa tragédia humanitária da Bahia”, declarou.

Na reta final do vídeo, Rodrigo Pimentel também criticou o Plano Nacional de Segurança Pública apresentado recentemente pelo governo federal, afirmando que o projeto não prevê medidas concretas para recuperação de áreas dominadas por facções criminosas.

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