Deputado afirmou que parlamentares não deveriam votar contra trabalhadores e criticou sessões com plenário esvaziado
O deputado federal Ricardo Maia (MDB-BA) defendeu, em Brasília, que parlamentares também sejam submetidos a controle de horas de trabalho, caso o Congresso discuta banco de horas para trabalhadores no debate sobre o fim da escala 6×1.
A declaração foi dada em entrevista ao Política Ao Ponto e ao Classe Política, no Congresso Nacional, ao comentar propostas de transição e compensação relacionadas à escala 5×2.
“Se for para colocar, como disseram aqui, a questão para o trabalhador banco de horas, eu mesmo sou a favor que bote banco de horas aqui para os deputados”, afirmou.
Maia disse que a escala 5×2 precisa ser votada e criticou a tentativa de estabelecer prazo de até dez anos para a mudança entrar em vigor.
“Tem deles aí colocando para ter validade para daqui a 10 anos. Nós precisamos é para já. Nós precisamos de saúde mental para as pessoas, nós precisamos das pessoas mais motivadas para o convívio”, declarou.
O deputado afirmou que não acredita que parlamentares votem contra uma pauta voltada aos trabalhadores.
“Eu não acredito que um parlamentar venha ao Parlamento votar contra o trabalhador, porque nós é que representamos o trabalhador”, disse.
Na sequência, Maia criticou a rotina de parte dos deputados em Brasília e afirmou que há parlamentares que votam pelo sistema Infoleg sem comparecer ao plenário.
“Os deputados federais mostrar quanto tempo de trabalho eles trabalham. Porque só trabalhamos três dias na semana. E muitos deles chegam, votam no Infoleg dentro de casa, que nem aparecem aqui no plenário”, afirmou.
Para o parlamentar, a situação contrasta com a realidade de trabalhadores que enfrentam longos deslocamentos e recebem salário mínimo.
“Não é justo para o trabalhador agora pegar três conduções, ganhar um salário mínimo de 1.600 reais, e nós parlamentares aqui ser contra”, completou.
