Paulo Cavalcanti liderou encontro com parlamentares e representantes do setor produtivo para defender que a redução da jornada seja discutida tecnicamente, sem polarização, avaliando as reais consequências econômicas.
O presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia (ACB) e líder da FACEB, Paulo Cavalcanti, defendeu nesta segunda-feira (11), no Palácio da ACB (bairro do Comércio, Salvador), que o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 seja aprofundado longe do viés ideológico e sem a pressão da urgência. A declaração foi dada à imprensa após uma série de rodadas de conversas promovidas pela entidade com parlamentares baianos para discutir o impacto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Cavalcanti ressaltou que a ACB, capitaneada hoje por sua presidente executiva, Isabela Suarez, tem cumprido seu papel histórico de mediar as grandes discussões nacionais. Para formatar o posicionamento do setor, a instituição reuniu cerca de 20 presidentes de entidades de classe produtiva e realizou escutas com o relator da PEC na Câmara, deputado Paulo Azi, além de lideranças como Antonio Brito, Afonso Florence e Léo Prates. “A ideia nossa é exatamente manifestar, todos os 20 presidentes de entidades de classe produtiva aqui neste momento, discutindo as pautas. O impacto da jornada de trabalho”, explicou o empresário.
A postura da Associação não fecha as portas para as demandas trabalhistas, mas exige cautela sobre o ritmo das mudanças no Congresso. “Ninguém se posiciona contra a questão de querer ir contra a discussão, claro que não. Dignidade humana ela vai ser discutida em qualquer momento, em qualquer civilização. O problema são as pressas, são as particularidades, são os ganhos”, ponderou Cavalcanti.
O líder associativista chamou a atenção para o risco de o projeto desconsiderar as diferentes realidades dos setores econômicos e agravar problemas estruturais do país, como o trabalho precarizado. “Qual vai ser o impacto na geladeira do povo brasileiro? O que é que isso realmente traz de positivo, sem deixar de discutir a realidade da gente, o raio-x: a informalidade, o desemprego, o assistencialismo, as questões e as particularidades de cada sindicato, de cada atividade?”, questionou.
Para o porta-voz do setor produtivo baiano, a solução deve focar na agregação de valor e no equilíbrio. “A união da classe produtiva faz com que a gente possa evoluir (…) a não polarização, ver as coisas como elas têm que ser vistas, tecnicamente, de forma produtiva, que traga realmente enriquecimento e produtividade para o nosso país”, concluiu Cavalcanti, pedindo que a nova legislação não penalize quem fomenta a economia.
