O aumento dos gastos com a população carcerária na Bahia tem provocado reações no meio político. Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais, vinculada ao Ministério da Justiça, apontam que o estado registrou, em 2026, um custo médio mensal de R$ 3.449,56 por preso, valor acima da média nacional e superior ao de unidades da federação como São Paulo e Distrito Federal.
O tema ganhou repercussão após a divulgação de que, apenas em fevereiro deste ano, o custo por detento chegou a R$ 4.403,35, colocando a Bahia entre os estados com maior despesa no sistema prisional do país.
Para o ex-deputado estadual Soldado Prisco (PL), os números refletem problemas estruturais na condução da segurança pública pelo governo estadual. Ele afirmou que o alto custo não tem sido acompanhado de eficiência no controle do sistema. “Não adianta gastar mais se o resultado não aparece. O que vemos é um sistema caro e, ao mesmo tempo, vulnerável”, disse.
Prisco também criticou a forma como a política de segurança tem sido conduzida na Bahia, apontando, segundo ele, uma ausência de foco em prevenção e combate efetivo ao crime. “O modelo atual prioriza o aumento de gastos, mas não resolve o problema da violência. Falta estratégia, falta gestão”, afirmou.
O cenário de custos elevados ocorre em meio a episódios recentes que expuseram fragilidades no sistema penitenciário baiano. Um dos casos mais emblemáticos foi a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul do estado.
De acordo com investigações do Ministério Público da Bahia, a ação teria sido articulada ao longo de cerca de 40 dias, envolvendo facilitação de visitas, escavação de estruturas internas e apoio externo. A apuração foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e ganhou repercussão nacional.
Para Soldado Prisco, episódios como esse reforçam as críticas ao modelo adotado. “Quando há falhas desse nível, fica claro que não é apenas uma questão de investimento, mas de gestão e controle”, enfatizou.
Prisco ainda salientou a necessidade de melhor valorização dos policiais penais que, para ele, seguem desvalorizados em suas funções e sem estrutura para trabalho.
“Os investimentos não chegam nos policiais penais que, hoje, na Bahia, estão em situação precarização do trabalho, têm falta de reconhecimento funcional e sofrem com a demora na implementação plena da carreira. Hoje, muitos policiais penais ganham menos do que dois salários mínimos. É um absurdo diante de tantos desafios da administração penitenciária da Bahia”, completou.
