O senador Ângelo Coronel afirmou que houve “ganância” por parte da cúpula do PT baiano durante a definição da chapa governista para as eleições de 2026. Segundo ele, a composição das principais candidaturas dentro do próprio partido teria contribuído para seu afastamento do grupo político.
“Os próprios membros da cúpula da Bahia, os dois candidatos ao Senado, o próprio Rui e o próprio governador [Jerônimo], que inventaram a chapa puro-sangue, demonstrando realmente uma ganância pelo poder muito grande, não abrindo para outras agremiações, também postular esses três cargos que são os mais importantes, que é a do governador e a duas vagas de senador”, disse Coronel em entrevista ao Farol da Bahia na terça-feira (28).
Apesar das críticas, Coronel afirmou não ter se incomodado com o rompimento político. Ele avaliou que a mudança representou uma transição natural em sua trajetória.
“Eu já não estava me sentindo bem dentro dessa unidade do meu. […] Para mim, terminou sendo uma carta de alforria para eu começar a trilhar um outro caminho e com o novo agrupamento”.
O senador também destacou que sua saída do grupo governista abriu espaço para maior autonomia em suas posições no Senado, especialmente em votações relacionadas à área econômica e tributária. Segundo ele, há divergências em relação à política de aumento de impostos.
“Sou contra terminantemente essa elevação de impostos. Eu acho que o parque industrial, fabril, comercial e de serviço do Brasil estão todos asfixiados com a carga tributária fora do comum, onde o governo termina sendo sócio majoritário das empresas sem investir um centavo e sem correr nenhum risco”, afirmou.
Após o rompimento, Ângelo Coronel passou a adotar postura mais crítica ao PT. Em entrevista recente ao podcast Podinquest, declarou que não votou em Lula nas eleições de 2022, quando ainda integrava a base governista. Em resposta, o ex-ministro Rui Costa afirmou, em entrevista à Metrópole, ter ficado “indignado” e disse que Coronel só se elegeu senador em 2018 com apoio do partido.
Questionado sobre as declarações, o senador rebateu e afirmou coerência em sua trajetória política.
“Fui eleito senador em 2018 numa união com o PT. Em 2022 eu não fui candidato a nada. Então, não estou traindo ninguém. Eu não me inscrevi numa sigla para depois mudar para outra. Eu continuei com a minha mesma coerência”. Sobre a declaração de não ter conseguido “apertar o 13” nas urnas em 2022, o senador disse que foi para “satisfazer os petistas mais radicais”.
“Diziam: “Ah, Coronel tá com Bolsonaro, ah, Coronel tá contra Jerônimo”. Eles mesmos alardeavam isso. Então eu fiz questão de ontem numa emissora de rádio para satisfazer já essas notícias que eles espalhavam e espalham o tempo todo, achando que com isso vai me depreciar. Eu disse: ‘Tudo bem, já que vocês querem isso, votei em Bolsonaro, pronto’. Então, simplesmente foi isso. Agora, eu mantive a minha coerência passada, eu votei na chapa”, afirmou.
Cenário político e novas alianças
Com a saída do PSD e filiação ao Republicanos, Ângelo Coronel passou a integrar articulações ao lado de João Roma na disputa pelo Senado. No campo estadual, a composição também envolve ACM Neto e Zé Cocá para o governo da Bahia. O senador minimizou disputas internas e afirmou que cada candidatura seguirá seu próprio caminho.
“São quatro candidaturas. Cada um vai disputar seu espaço.”
“Nós estamos trabalhando para isso, para que fazer com que a ACM Neto venha ser eleito na Bahia, porque eu acho que o governo atual já cansou, venceu e quando algo é vencido na prateleira ou dentro da geladeira, você tem que comprar um novo, você tem que trocar”. O senador já declarou abertamente apoio a Flávio Bolsonaro para o pleito presidencial.
PL da Dosimetria
Coronel também comentou sua postura na votação da PL da Dosimetria, quando foi o único senador a se abster no Congresso. O texto foi aprovado em dezembro do ano passado e seguiu para sanção presidencial. Agora, retorna ao Legislativo após veto do presidente Lula.
“Eu vou seguir o meu partido novo, eu estou agora no Republicanos. Vamos ter uma reunião da bancada aqui no Senado para ver qual é a melhor tendência. Eu vou seguir o partido, eu não vou sair como ave desgarrada”, afirmou.
Escala 6×1
O senador ainda comentou a proposta de mudança na escala de trabalho 6×1, que prevê redução da jornada semanal. Ele afirmou não ser contra a ampliação do descanso dos trabalhadores, mas criticou o timing e a condução da proposta pelo governo federal.
“O governo do presidente Lula deixou para ele trazer essa pauta bomba dessa escala faltando cinco meses para as eleições. Por que não fez isso antes? Quer dizer, aí quando é agora quer que o custo seja bancado pelo empresariado. E se o governo quer fazer isso, ele tem que fazer a desoneração da folha dos setores que serão atingidos com essa mudança de jornada de trabalho”, declarou.
Segundo ele, a forma como o tema foi apresentado pode gerar desgaste político para o governo.
