Com a inauguração da Cozinha Solidária Rainha das Águas Maria Anita de Carvalho, no bairro do Calabar, neste sábado (11), o Governo do Estado avança no enfrentamento à fome em Salvador por meio do Programa Bahia Sem Fome. A iniciativa integra o projeto Comida no Prato, que prevê a implantação de 35 cozinhas comunitárias e solidárias na capital, geridas por sete Unidades Gerenciadoras (UGs) selecionadas pelo Edital nº 01/2025. O objetivo da iniciativa é garantir refeições gratuitas à população em situação de vulnerabilidade na capital por 12 meses.
Durante esta semana, o programa já realizou a inauguração e assinatura de termo de colaboração com cinco organizações selecionadas no edital. Já são 25 unidades inauguradas nesta etapa, chegando nos bairros mais necessitados. Com isso, novas inaugurações ainda devem ocorrer na capital ainda neste mês, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo a Rede de Equipamentos Integrados para o Combate à Fome nos territórios mais vulneráveis.
A unidade inaugurada no Calabar é coordenada pelo Instituto Kemet e funciona em parceria com o terreiro Ungunzo Kessimbi Amaze, que tem à frente a Mametto Alana Carvalho, liderança nascida e criada no bairro, reforçando o papel das organizações comunitárias e dos territórios tradicionais no combate à insegurança alimentar.
Ao longo da semana, também foram realizadas inaugurações e assinaturas em outros bairros da cidade: em Paripe, com a Associação de Moradores Paripe em Movimento; na Boca do Rio, com o Centro Cultural e Educacional de Desenvolvimento da Cidadania MUS E Brasil; em Castelo Branco, com a Comunidade Cidadania e Vida; e em Pernambués, com o Grupo Alerta Pernambués.
As Unidades Gerenciadoras são responsáveis pela articulação, gestão e funcionamento de cinco cozinhas cada, distribuídas em diferentes pontos estratégicos da cidade — ampliando o alcance da política pública para além dos locais onde ocorrem as cerimônias.
No caso do Instituto Kemet, as cozinhas estão localizadas no Santo Antônio Além do Carmo, Calabar, Itapuã, Fazenda Grande IV e na região da Rótula do Abacaxi.
Segundo o coordenador executivo do Instituto Kemet e presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Salvador (COMSEA), Mosar Santos, a ampliação da atuação da organização representa um avanço significativo no enfrentamento à fome na capital.
“Em 2024, a gente tinha apenas um ponto de cozinha. Agora, com o novo edital, passamos a gerenciar cinco cozinhas em Salvador, em territórios estratégicos da cidade. São espaços que vão produzir e distribuir até 1.200 refeições, três vezes por semana, garantindo alimentação para quem mais precisa”.
Mosar também ressaltou que a iniciativa vai além da oferta de refeições, ao promover inclusão social e acesso a direitos. “Estamos beneficiando principalmente mulheres negras, mães solo, população em situação de rua, população LGBTQIAPN+ e pessoas em situação de vulnerabilidade. A comida é só o ponto de partida. Nossa meta é transformar essas cozinhas em cozinhas-escola, onde essas pessoas possam se capacitar e acessar outras políticas públicas”.
Apesar das inaugurações desta semana, a oferta de refeições já vinha sendo realizada desde março pelas organizações selecionadas. A exceção é o Grupo Alerta Pernambués, que iniciou a distribuição no dia 6 de abril.
De acordo com o coordenador-geral de Ações Estratégicas de Combate à Fome, Tiago Pereira, Salvador concentra o maior volume de investimentos e de equipamentos entre todos os municípios contemplados pelo edital. “As organizações de Salvador são as que recebem o maior investimento e o maior número de cozinhas em todo o estado. Isso reflete o tamanho do desafio que temos na capital e o compromisso do Governo da Bahia em enfrentá-lo com prioridade”, destacou.
Durante as inaugurações, Tiago também fez um apelo direto às comunidades para que a política pública alcance ainda mais pessoas em situação de vulnerabilidade. “Esse projeto não é esmola, é um direito. É o direito de vocês terem acesso à alimentação digna. A gente trabalha para essas mulheres, homens, crianças e jovens que muitas vezes dormem e acordam sem ter certeza se vão conseguir se alimentar. Nos ajudem a chegar em quem mais precisa. Vamos vencer a fome em Salvador e em toda a Bahia, garantindo dignidade para o nosso povo”.
As cozinhas comunitárias e solidárias funcionam como espaços de produção e distribuição de refeições gratuitas, além de promoverem o fortalecimento comunitário e o estímulo à economia local, com a aquisição de alimentos da agricultura familiar.
Para quem está na ponta, o impacto da iniciativa já é sentido no dia a dia. Moradora de Castelo Branco, a beneficiária Rosilene Neves, que está desempregada e é mãe de três filhos, conta que a alimentação recebida tem sido essencial para a família. “Ajuda muito, principalmente no final do mês, quando a gente passa mais aperto. Eu estou recebendo há mais de um mês, três vezes na semana, e faz diferença dentro de casa”, relatou.
Ela explica que soube da iniciativa por meio de um grupo da igreja e decidiu participar após ser convidada. “Me chamaram no grupo e falaram do projeto. Eu fiquei feliz em participar. As marmitas são boas, vêm com arroz, feijão, macarrão, frango e verduras. Eu levo pra casa e divido com minhas filhas”, contou. Atualmente, Rosilene vive com as duas filhas mais novas, de 12 e 5 anos, que estão estudando, e reforça que a ação chega em um momento de necessidade.
Cenas como essa se repetiram ao longo da semana em diferentes territórios de Salvador. Na Boca do Rio, por exemplo, as inaugurações foram marcadas por momentos de forte emoção, com relatos de mães e avós que enfrentam diariamente a insegurança alimentar e encontraram no projeto um alívio para suas famílias. Entre elas, Dona Flaviana e Dona Maria de Lourdes compartilharam histórias de dificuldade, mas também de esperança, evidenciando o impacto direto da política pública na vida de quem mais precisa.
Além de Salvador, o projeto Comida no Prato do Programa Bahia Sem Fome através da Coordenação Geral de Ações Estratégicas de Combate à Fome – CGCFOME do Governo do Estado da Bahia contempla outros municípios baianos, ampliando a rede de combate à fome em todo o estado e fortalecendo a atuação integrada entre governo e sociedade civil.
