Salvador, 06/04/2026 22:33

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ACB: Empresários baianos alertam para riscos do fim da escala 6×1 sem transição gradual e defendem negociação coletiva

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ACB reúne lideranças do setor produtivo com relator da PEC na Câmara e entrega documento com sugestões; Isabela Suarez afirma que mudança estrutural precisa considerar a realidade de cada setor.

A Associação Comercial da Bahia (ACB) recebeu, na manhã desta segunda-feira (6), o deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA) , relator das propostas de emenda à Constituição que tratam do fim da jornada de trabalho 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O encontro reuniu lideranças empresariais e representantes de diversos segmentos do setor produtivo em um momento decisivo do debate nacional sobre o tema.

Liderado pela presidente da ACB, Isabela Suarez, o encontro contou com a presença de Paulo Cavalcanti (presidente do Conselho Superior da ACB), Guilherme Travisani (vice-presidente da ACB), Pedro Failla (presidente da FCDL-BA), Humberto Miranda (presidente da FAEB), Claudio Cunha (presidente da Ademi-BA), Eduardo Freire Bastos (presidente do Conselho Diretor do Sinduscon-BA), Graça Valadares (presidente da ALSCIB) e os deputados Paulo Azi (federal) e Sandro Regis (estadual).

Demandas do empresariado baiano

A reunião foi marcada pela apresentação de dados, preocupações e sugestões do empresariado baiano, especialmente de setores intensivos em mão de obra, como comércio, serviços, bares e restaurantes, diretamente impactados por eventuais mudanças na jornada de trabalho. O documento entregue ao relator destaca a necessidade de diferenciação setorial, implementação gradual e preservação da negociação coletiva como instrumento para garantir flexibilidade operacional, especialmente em atividades com funcionamento contínuo.

Posicionamento da ACB

Isabela Suarez reforçou que a entidade não se opõe ao debate sobre a modernização das relações de trabalho, mas defende que qualquer mudança seja construída com base em evidências e na realidade econômica dos setores produtivos.

“O debate é legítimo, mas precisa ser feito com responsabilidade. Estamos falando de uma mudança estrutural que pode impactar milhões de empregos no país. Não é possível tratar de forma uniforme uma economia que é diversa por natureza. Setores como comércio e serviços têm dinâmicas próprias, funcionamento contínuo e forte dependência de mão de obra”, afirmou.

Isabela destacou que propostas que preveem redução de jornada sem transição adequada e sem considerar as especificidades setoriais tendem a gerar aumento de custos, pressão sobre preços e riscos para a sustentabilidade das empresas. “A forma como essa mudança será implementada é o ponto central do debate. Sem calibragem adequada, podemos gerar efeitos adversos justamente sobre aquilo que queremos proteger: o emprego e a renda”, completou.

Relator ouve setor produtivo

O deputado Paulo Azi destacou a importância do diálogo com o setor produtivo para a construção de um parecer equilibrado. “É importante essa oportunidade de estar aqui, atendendo ao convite da presidente Isabela, e ouvir representantes de diversos setores produtivos da Bahia, que trouxeram suas preocupações e sugestões. Isso é fundamental para que possamos construir um parecer que, de um lado, atenda os interesses dos trabalhadores, mas que também tenha um olhar cuidadoso com aqueles que empregam em nosso país”, afirmou.

O encontro reforça a posição da ACB como interlocutora do setor produtivo no debate nacional sobre a reforma trabalhista, buscando equilíbrio entre direitos dos trabalhadores e a sustentabilidade dos negócios. A PEC do fim da escala 6×1 segue em tramitação na Câmara dos Deputados, e o parecer do relator Paulo Azi é aguardado para as próximas semanas.

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