Na última quarta-feira (1º), um momento histórico marcou os praticantes do grau na Bahia. Foi aberto, no Parque de Exposições de Salvador, uma área destinada a prática esportiva, reunindo mais de 1.500 pessoas no evento.
O espaço foi preparado com infraestrutura completa, incluindo equipes de apoio, socorristas, ambulância, sinalização e espaço delimitado para o público. Para garantir a integridade de todos, foram instalados equipamentos de proteção e contratado um seguro específico para os atletas, além de seguro de responsabilidade voltado ao patrimônio público. Só puderam participar os praticantes que apresentaram equipamentos obrigatórios, como capacete e itens de proteção. Não houve nenhuma ocorrência grave durante toda a programação.
Para o diretor jurídico da Federação do Grau da Bahia, Thiancle Araújo, a abertura representa uma vitória construída ao longo de anos de diálogo. “Esta é uma grande conquista para todos que fazem do grau um esporte sério. Aqui é o espaço correto, com regras e segurança. Reforço que a prática de grau nas ruas é crime. Nosso objetivo é garantir locais adequados, seguros e reconhecidos”, afirmou.
O evento marcou o início de uma agenda estadual voltada à regulamentação da prática, fortalecendo o esporte e ampliando sua visibilidade.
Ministério Público da Bahia abre diálogo sobre prática grau, guerra de espadas e paredão
Thiancle Araújo apresentou ao Ministério Publico da Bahia a estrutura da Federação do Grau da Bahia, que exige para os eventos:
- seguro para participantes
- AVCB do Corpo de Bombeiros
- autorização municipal
- realização apenas em locais apropriados
“O grau não é desordem, é esporte. É cultura urbana e merece respeito. Defendemos que aconteça nos locais certos, com total segurança”, destacou.
Além das diretrizes da prática do grau, Thiancle Araújo apresentou ao MP-BA uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) estadual para permitir a realização da Guerra de Espadas já em 2026, com regras claras e transição de até 12 meses.
A proposta inclui:
- assistência de técnicos especialistas em explosivos;
- responsabilização por danos ao patrimônio público ou privado;
- realização da prática em um único dia, por no máximo 10 horas;
- alternativas de deslocamento e hospedagem para moradores das áreas afetadas;
- avanço no projeto do espadódromo, estrutura definitiva e segura para o evento.
“O que apresentamos é um caminho realista e responsável. A Guerra de Espadas faz parte da identidade de muitos municípios. Queremos segurança e respeito à nossa cultura”, afirmou.
Thiancle Araújo também apresentou ao MP-BA o modelo organizado do paredão adotado em Castro Alves, com alvarás específicos, áreas delimitadas e fiscalização adequada.
Ainda existe muita desinformação sobre o tema. O Ministério Público não é contra os paredões. O que não pode é perturbação do sossego ou risco à segurança. Com regras, os eventos podem ocorrer.
Uma nova reunião será realizada nas próximas semanas no COMPOR para detalhar o TAC da Guerra de Espadas e definir regras estaduais para paredões e eventos de grau.
“Estamos construindo entendimento, não conflito. Hoje demos um passo histórico para espadeiros, grauzeiros e produtores culturais de toda a Bahia”, concluiu.
