O presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia (ACB), Paulo Cavalcanti, fez um desabafo contundente nesta quinta-feira (19) sobre a falta de mobilização do setor produtivo diante das recentes mudanças trabalhistas e tributárias no Brasil. Durante a 5ª Reunião da Diretoria Plenária da ACB, Cavalcanti afirmou que o esvaziamento das entidades de classe ameaça a própria sustentabilidade do Estado Democrático de Direito.
“Não existe democracia que se sustente sem uma classe organizada. Associação de classe não é clube esportivo; é o lugar onde você representa seus interesses”, disparou.
O dirigente ressaltou que pautas como o fim da escala 6×1 e alterações no Simples Nacional estão sendo conduzidas sem resistência técnica porque o empresariado permanece disperso. Ele destacou que a baixa produtividade do país, combinada ao crescimento da informalidade em detrimento da CLT, cria um cenário de instabilidade econômica pouco compreendido pela população.
“Como é que a gente comunica isso à população se não estivermos organizados? A classe produtiva precisa de uma voz única com pautas de nação”, pontuou.
Cavalcanti utilizou conceitos de ciência política para explicar que, na transição do absolutismo para a democracia, as associações assumiram papel vital como “grupos de pressão”. Sem essa força, alertou, o sistema fica vulnerável a ideologias políticas que podem levar ao autoritarismo e à corrupção institucional. Entre os pontos centrais da crítica do conselheiro estão:
- Déficit de Participação: Menos de 10% das empresas brasileiras estão associadas a federações ou confederações, reduzindo o poder de barganha do setor.
- Risco de Assistencialismo: O Brasil possui mais pessoas assistidas por programas sociais do que trabalhadores com carteira assinada.
- Falta de Pertencimento: Empresários que “fogem” dos problemas, em vez de fortalecer a representação de sua categoria.
Cavalcanti encerrou convocando os donos de empresas a mudarem sua percepção sobre o associativismo, ressaltando que a viabilidade de empreender no país depende tanto do governo quanto da capacidade do setor produtivo de ocupar espaços de decisão e demonstrar o impacto real das medidas legislativas no custo de vida. “Quando cada empresário entender sua responsabilidade, a gente muda esse Brasil e fica mais fácil discutir essas questões”, concluiu.
