Salvador, 07/03/2026 17:56

Jornalismo ético compromissado com a verdade

Salvador

“Machismo mata e o recorde de feminicídios no Brasil exige indignação da sociedade”, diz Marta Rodrigues

Marta Rodrigues
Foto: Divulgação
fallback user

Compartilhe:

google-news-follow

A vereadora Marta Rodrigues (PT) afirmou, nesta sexta-feira (6), que os dados recentes sobre violência de gênero no Brasil acendem um alerta grave justamente no período em que o país marca o Mês da Mulher. Segundo ela, levantamentos divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aliados a estatísticas nacionais e a casos recentes noticiados na imprensa, mostram que a realidade ainda é cruel e dolorosa, mesmo diante de alguns avanços.

“Na mesma semana em que o Brasil se choca com uma adolescente estuprada por quatro homens, numa emboscada que deixou a população horrorizada, os dados confirmam tudo o que estamos vivenciando e o quanto é urgente mudar essa sociedade machista e perversa com as mulheres”, afirmou.

De acordo com a vereadora, os números mostram que o Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado no país, o que representa cerca de quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. No campo da violência sexual, o cenário também preocupa.

“O Brasil registra mais de 80 mil casos de estupro por ano, o equivalente a centenas de ocorrências diárias, sendo a maioria das vítimas meninas e adolescentes. Esses casos precisam provocar não apenas dor, mas uma indignação permanente na sociedade”, disse.

Marta Rodrigues também chamou atenção para situações de violência que muitas vezes só vêm à tona por meio da atuação de escolas e redes de proteção. Ela citou o caso recente de uma menina de apenas 12 anos que estava sendo abusada por um homem com mais de 30 anos, situação descoberta após a equipe pedagógica de uma escola perceber a evasão escolar da estudante e acionar o Conselho Tutelar.

“Esse episódio mostra como a educação também é parte fundamental da rede de proteção. Muitas violências começam dentro do ambiente familiar e só são percebidas quando aparecem sinais na escola, como ausências frequentes ou mudanças de comportamento”, destacou.

Para a parlamentar, o caso evidencia a importância de fortalecer equipes multidisciplinares nas escolas, com pedagogos, psicólogos e assistentes sociais preparados para identificar sinais de violência e acionar os órgãos responsáveis.

Apesar da gravidade dos números, Marta afirma que também é preciso reconhecer conquistas históricas resultantes da luta das mulheres. “Cada avanço foi fruto de mobilização. Março não pode ser apenas um mês simbólico, e essa luta não pode ser lembrada apenas neste período”, destacou. Ela lembra que a trajetória de direitos femininos no Brasil inclui marcos importantes, como o voto feminino conquistado em 1932 e legislações fundamentais como a Lei Maria da Penha e a lei que tipificou o feminicídio, além da recriação do Ministério das Mulheres e da ampliação de políticas como a Casa da Mulher Brasileira e o fortalecimento do Ligue 180. 

Segundo a vereadora, o aumento das denúncias também indica que mais mulheres estão rompendo o silêncio e buscando apoio institucional. “Isso mostra que políticas públicas começam a criar redes de proteção, mas não significa que o problema esteja resolvido. Pelo contrário, revela o tamanho do desafio que ainda precisamos enfrentar”, afirmou.

A vereadora também ressaltou que o impacto da violência de gênero atinge de forma ainda mais dura determinados grupos sociais. “O machismo mata, abusa, assedia e humilha, e sabemos que ele atinge com mais força as mulheres negras, que estão entre as principais vítimas da violência no país. Combater essa realidade exige enfrentar desigualdades históricas”, pontuou.

Marta Rodrigues defende o fortalecimento de medidas estruturais, como ampliação de delegacias especializadas, redes de acolhimento, campanhas educativas permanentes e aplicação rigorosa da legislação. “A violência contra a mulher está ligada a uma cultura histórica de machismo e a uma estrutura patriarcal que naturalizou a desigualdade. Combater isso exige educação, políticas públicas firmes e punição efetiva para os agressores”, concluiu.

Gostou? Compartilhe!

google-news-follow

LEIA TAMBÉM

publicidade
BANNER ALBA MARÇO DE 2026