Salvador, 24/02/2026 02:10

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Guerra no Cidadania chega à Bahia e ameaça presença do partido nas eleições de 2026

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Vereadora Isabela Sousa e suplente Lourival Evangelista disputam comando estadual da legenda, cada um alinhado a uma das correntes nacionais em conflito; indefinição pode deixar partido fora da disputa proporcional.

O racha nacional que divide o comando do Cidadania entre o ex-deputado federal Roberto Freire e o ex-presidente Comte Bittencourt chegou à Bahia e acirrou os ânimos entre as lideranças locais. Em lados opostos, a vereadora de Salvador Isabela Sousa e o suplente de vereador Lourival Evangelista Neto aguardam uma definição da Executiva Nacional para colocar seus respectivos grupos em campo e organizar a nominata para as eleições de outubro.

Disputa nacional e seus reflexos locais

A crise no Cidadania teve início após decisão judicial determinar o retorno de Roberto Freire à presidência nacional do partido, posto que ocupou por mais de 30 anos e do qual havia se afastado em 2023 . Freire reassumiu o comando da legenda por força de liminar, sob o argumento de irregularidades na ata da reunião que oficializou sua saída . Comte Bittencourt, que presidia a sigla desde então, passou a contestar a decisão e articula uma chapa alternativa, contando com o apoio declarado de 69 dos 101 membros do Diretório Nacional .

Em meio à batalha judicial, os dois grupos também divergem sobre os rumos políticos da legenda. Freire defende uma aproximação com o Republicanos, partido do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, e sinaliza apoio a um nome de centro para a Presidência, como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) . Já a corrente liderada por Comte Bittencourt trabalhava pela federação com o PSB e pelo apoio à reeleição do presidente Lula (PT) .

Na Bahia, cada lado tem seu representante

Na Bahia, a vereadora Isabela Sousa alinha-se ao grupo de Roberto Freire e defende a tese de lealdade ao comando do ex-senador pernambucano. Sua posição é estratégica, considerando que Isabela foi eleita pela federação PSDB-Cidadania, que ainda está em vigor , e tem atuação vinculada ao prefeito Bruno Reis (União) na Câmara Municipal de Salvador.

Em posição oposta, o suplente de vereador Lourival Evangelista Neto afirma que Comte Bittencourt é o presidente legítimo do partido e acusa Roberto Freire de cometer um “crime contra a democracia interna” da legenda. Segundo Evangelista, a permanência de Freire à frente do Cidadania tem causado prejuízos à organização partidária em todo o país.

“Em guerra declarada e faltando pouco tempo para a montagem oficial das nominatas, o Cidadania pode ficar fora das eleições em boa parte dos estados e, por consequência, perder direito ao fundo eleitoral e partidário. Esta conta será de Roberto Freire e seus aliados. Fica nítido que a gana pelo poder tem números e senhas”, declarou o suplente.

Evangelista também fez questão de ressaltar o trabalho de reconstrução do partido realizado nos últimos anos por Comte Bittencourt. “Vale ressaltar a dedicação na construção do partido do legítimo presidente Comte Bittencourt, que certamente faria o partido se agigantar em tempos de polarização como uma opção democrática ao povo brasileiro”, afirmou.

Risco eleitoral

A indefinição sobre o comando nacional do Cidadania já preocupa lideranças estaduais. Cristovam Buarque, presidente do diretório no Distrito Federal, alertou que o racha compromete a participação da legenda nas eleições de 2026. “O partido deveria estar fazendo a nominata de candidatos e as alianças. Não estamos podendo fazer isso, não temos como compor uma nominata”, afirmou em entrevista recente .

Na Bahia, o cenário se repete. Enquanto as duas correntes aguardam o desfecho da disputa nacional – que pode ser decidida em congresso marcado para março, caso não haja novas intervenções judiciais – o tempo corre contra a organização das chapas proporcionais para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa.

A reunião do Diretório Nacional prevista para esta terça-feira (24) pode trazer novidades sobre o futuro do partido . Até lá, a incerteza persiste, e o Cidadania corre o risco de perder espaço num ano eleitoral decisivo.

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