O senador Jaques Wagner (PT) saiu em defesa da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Salvador e rebateu críticas feitas pelo ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), que questionou a participação do chefe do Executivo federal em eventos recentes na capital baiana. Em entrevista, Wagner afirmou que a oposição ignora o conteúdo das ações do governo federal e se apega a detalhes que, segundo ele, sequer existiram.
“Acho que foi espetacular, muito prefeito, o significado daquele ato pra mim é muito importante, é gozado que a oposição critica o detalhe que não existiu em vez de ser contendo o conteúdo. Ali foram milhões investidos em saúde pública”, disse o senador. Para Wagner, o evento foi bem-sucedido e demonstrou o foco do governo federal em políticas públicas voltadas à maioria da população.
Ele também destacou a agenda paralela com a militância petista, após a comemoração dos 46 anos do PT na Bahia. “Era um evento pra militância, acho que foi um evento espetacular. A fala, o conteúdo, a oposição deveria pegar o conteúdo da fala do presidente e ver se aprende um pouquinho como é que é governar focado na maioria da população”, afirmou. Wagner acrescentou que Lula deve retornar ao estado em breve e minimizou críticas sobre a frequência das visitas. “Nós estamos bastante abastecidos e felizes com a presença do presidente aqui.”
Ao comentar a saída do senador Angelo Coronel (PSD) do grupo governista, Wagner classificou o episódio como superado. “Pelo visto, sim”, respondeu ao ser questionado se o tema seria uma “página virada”. Segundo ele, houve um impasse interno no PSD baiano. “O PSD já tem uma definição de andar com a gente e infelizmente, o Coronel queria que o PSD ficasse independente aqui. Não dá para ser independente, tendo crescido junto com o grupo.”
Wagner disse ter feito esforços para manter Coronel na base, inclusive propondo uma divisão de mandato no Senado. “Eu não acho que era o melhor [ele sair]. Fiz um esforço muito grande para mantê-lo aqui. Cheguei a propor a divisão do mandato”, relatou. Ainda assim, afirmou que respeita a decisão do colega. “Ele achou melhor sair. Tudo bem, ele foi para minha página virada.”
O senador demonstrou confiança no projeto eleitoral do grupo liderado pelo PT na Bahia. “Agora nós estamos montando nossa caminhada e vamos trabalhar muito até outubro. Acho que nós vamos chegar muito bem em outubro, tanto presidente quanto Jerônimo, e vamos esperar o julgamento do povo.”
Sobre a composição da chapa majoritária, Wagner defendeu a permanência do MDB. “Eu defendo que a chapa que tá ganhando não se mexe”, afirmou. Ele reconheceu que houve conversas durante a crise no PSD, mas disse que, com a saída de Coronel, não há motivo para alterações. “Agora, ele já foi, então não tem por que mexer.”
Wagner também comentou as negociações para manter parlamentares do PP no campo de apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), como Cláudio Cajado e Mário Negromonte Júnior. Segundo ele, a decisão cabe aos próprios deputados. “Mario Negromonte Jr. no tempo todo disse que quer ficar e continuar caminhando com a gente”, disse, ressaltando que o parlamentar pode enfrentar dificuldades no PP após a sigla optar por apoiar outro projeto nacional e local.
Ao responder a críticas do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), que na semana passada disse ter sido “rifado” pelo grupo petista, Wagner ironizou. “Quem costuma rifar as pessoas é o grupo de lá”, afirmou. Em tom ácido, comparou os dois campos políticos. “A gente aqui é o grupo político da terra fértil da política. (…) Agora o lado de lá é que nem mandacaru, não dá soma. E todo mundo que vai pra lá acaba ficando sem nada.”
