O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo, ACM Neto (União Brasil), elevou o tom contra as duas décadas de gestões petistas na Bahia, destacando a “falta de sensibilidade” do estado em relação ao semiárido. Ele ressaltou que, mesmo ocupando 85% do território e abrigando metade da população baiana, a região segue sem grandes obras de segurança hídrica, como barragens e sistemas de irrigação estruturados. “Falta água para o abastecimento humano, para a produção animal e de alimentos. O pequeno produtor foi esquecido, sem assistência técnica ou linhas de crédito”, disse, alertando que a escassez de água impacta a economia local e compromete a saúde financeira das prefeituras.
O ex-prefeito citou Irecê como exemplo do abandono histórico, lembrando que a cidade enfrentou em 2025 uma das piores estiagens das últimas quatro décadas, com volume de chuva anual equivalente ao de apenas um mês em Salvador. Segundo Neto, o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) tenta tratar a seca como um fenômeno exclusivamente natural, ignorando a falta de planejamento e estratégias para minimizar seus efeitos. Ele enfatizou que a dependência de caminhões-pipa e a execução parcial de grandes projetos de irrigação deixam o sertão em vulnerabilidade constante.
O ex-prefeito também refutou a ideia de que ações recentes do governo, como a perfuração de milhares de poços artesianos e a implantação de sistemas simplificados de abastecimento, seriam suficientes. Para ele, são medidas de curto prazo que não solucionam a crise estrutural da região. “Ações paliativas”, afirmou, destacando que, se houvesse políticas consistentes e água garantida para quem produz, o semiárido poderia se tornar um motor de desenvolvimento, mas a ausência de iniciativas estratégicas trava o crescimento econômico da Bahia.
