Em passagem por Irecê, onde participou do evento da Fundação Índigo nesta quinta-feira (5), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) fez duras observações sobre os rumos da economia brasileira. O pedetista concentrou suas críticas na política de juros, afirmando que a taxa mantida em 15% inviabiliza qualquer perspectiva de crescimento sustentável, ao desestimular investimentos produtivos na indústria, no comércio e no setor agrícola.
Segundo Ciro, o atual patamar dos juros cria um ambiente de estagnação econômica ao favorecer aplicações financeiras em detrimento da produção. Para ilustrar sua posição, afirmou: “Quinze por cento de taxa de juros destrói uma nação. Se o governo paga por um papel mais do que o comércio, a indústria e a agricultura pagam de lucro, a economia para, porque quem tem dinheiro não vai colocar no risco se pode colocar na renda fixa”, avaliando que esse cenário bloqueia o avanço do PIB.
O ex-ministro também relacionou o custo elevado do crédito ao endividamento em massa das famílias brasileiras. De acordo com ele, cerca de 79 milhões de pessoas estão hoje “humilhados” nos cadastros de inadimplência, situação que atribuiu aos “juros criminosos” praticados sob a coordenação do governo federal.
Para Ciro, a inadimplência não deveria ser motivo de vergonha para a população, mas sim um reflexo de um sistema financeiro que inviabiliza o pagamento de dívidas e compromete até o consumo básico. Ele afirmou que essa lógica retira a dignidade do trabalhador e impede a implementação de políticas públicas capazes de gerar inclusão social e resultados concretos para as camadas mais pobres da população.
Em tom ainda mais duro, o pedetista direcionou críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando a atual gestão de agir sem transparência e de manter relações excessivamente complacentes com o setor bancário. Ele mencionou encontros de representantes do sistema financeiro no Palácio do Planalto que, segundo ele, não foram devidamente divulgados. “Por que foi escondida a visita do dono do Banco Master? É toda a esculhambação do Brasil, e o Lula está junto. Desculpa, é constrangedor”, disparou.
Na parte final de sua fala, Ciro elevou o tom ao classificar a situação institucional do país como uma “podridão”, citando denúncias que, segundo ele, atingem diretamente aposentados. O ex-ministro afirmou que houve permissão para o “roubo de dinheiro dos aposentados”, agravando ainda mais a realidade de quem já enfrenta altos custos com medicamentos e inflação. “Você imagina um cabra doente, os remédios ficam caros, e a prestação do remédio dele vai ficar mais cara porque roubaram 50, 60 reais por mês de cada velhinho do Brasil. Esse país está podre”, concluiu.
