O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou a polarização política em torno do debate sobre o preço do cacau e afirmou que temas centrais da economia e da produção rural não podem ser tratados sob a lógica de esquerda ou direita. A declaração foi feita em entrevista à Rádio Metrópole, nesta quinta-feira (5).
Ao comentar a instabilidade enfrentada pelos produtores, Jerônimo destacou que o valor do cacau é determinado pelo mercado internacional, e não por decisões governamentais. A arroba do produto, que já chegou a custar cerca de R$ 1.000, atualmente é negociada por menos de R$ 260.
“Todos nós sabemos que o preço do mercado (do cacau) não é o governador que estabelece. E na Bolsa de Valores, se chama de commodities. É um produto que é negociado na Bolsa”, afirmou.
Além da queda acentuada nos preços, produtores têm cobrado medidas de proteção e reclamado da importação considerada descontrolada do produto, após a edição de uma normativa em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Diante do cenário, o governador informou que esteve reunido na manhã de quarta-feira (3) com produtores e representantes de diferentes áreas do governo estadual para instituir um comitê de crise, com o objetivo de avaliar ações emergenciais e articular tratativas junto ao governo federal.
Jerônimo relatou ainda um encontro recente com produtores no município de Gandu, no sul da Bahia, e disse ter se surpreendido com o grau de radicalização política presente nas discussões. “Na semana passada eu fui em Gandu, recebi uma comissão. Olha pra você ver o extremo que chegamos na política. Fica parecendo que o cacau é da esquerda ou da direita”, afirmou.
Segundo o governador, ele iniciou a reunião destacando sua relação pessoal com a cultura cacaueira, mas ressaltou que o debate econômico não pode ser contaminado por disputas ideológicas. “Eu comecei a reunião dizendo, gente, eu sou filho do cacau. Mas eu não posso compreender que a gente está numa mesa para discutir o preço do cacau que a gente vai querer saber de que partido você é. Ou se você é lulista, é bolsonarista, é esquerda”, declarou.
Para Jerônimo, a superação da crise no setor exige diálogo técnico e articulação institucional, sem transformar um problema de mercado em um embate político-partidário.
