O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou nesta quinta-feira (5) que a relação do governo com o MDB e os demais partidos da base aliada passa por um momento de ajustes, mas negou qualquer risco de ruptura ou desagregação do grupo político que sustenta sua gestão. Em entrevista à rádio Metrópole, o petista disse que a prioridade é “tranquilizar a base” diante das incertezas geradas pela saída do senador Angelo Coronel (PSD) do campo governista.
Jerônimo relatou ter se reunido com as principais lideranças do MDB na Bahia, como Geddel Vieira Lima, Lúcio Vieira Lima e Jayme Vieira Lima, para tratar do futuro da relação com o partido. Segundo ele, o tema será levado ao Conselho Político da base ainda nesta quinta, em caráter preliminar.
“Eu sentei com o Geddel e com o Lúcio e com o Jayme, para poder tratar nossa relação com o MDB. Hoje, nós vamos colocar à mesa no Conselho o que nós podemos encontrar para tranquilizarmos a nossa base política”, afirmou.
O governador buscou minimizar especulações de crise interna e disse que o grupo não permitirá um processo de fragmentação. “O grupo não vai se destraçalhar, não vai. Nós não vamos permitir isso”, declarou.
Na avaliação de Jerônimo, a saída de Angelo Coronel da base governista precisa ser analisada com cautela, sobretudo pelos efeitos que pode gerar sobre o PSD e sobre o equilíbrio político da coalizão. “Nós vamos colocar o que é que nós entendemos na saída do Angelo na condição de senador na nossa base, o que é que isso pode implicar na força política do PSD e o que é que pode interferir na nossa relação”, disse.
O petista também afirmou que, apesar de lideranças como o senador Otto Alencar (PSD) já terem formalizado apoio, muitos partidos ainda o fizeram de forma individual, o que exige uma pactuação mais clara. Segundo ele, o encontro desta quinta não terá caráter decisório. “Hoje não é decisão de chave, é uma conversa preliminar. Nós estamos chegando ao mês de março, aí sim nós vamos apresentar, dialogar, ouvir”, afirmou.
Jerônimo relatou ainda ter sido procurado por prefeitos preocupados com os desdobramentos políticos da movimentação na base. Segundo ele, o compromisso com os municípios e com o diálogo direto é central para manter a unidade. “Eu não quero abrir mão dessa relação e eu vou acenar porque eu quero e vou fazer a unidade”, disse, ao defender conversas “olhando nos olhos” e sem articulações nos bastidores.
Ao reforçar seu perfil municipalista, o governador afirmou que a sustentação política do governo passa pela articulação com prefeitos e vereadores. “Chegar a 373 municípios em três anos é porque eu acredito no interior. Eu sou homem do interior”, declarou.
Para Jerônimo, a disputa eleitoral que se avizinha torna ainda mais necessária a coesão do grupo. “Nós temos um projeto para a Bahia, nós temos um projeto para o Brasil. É uma eleição difícil porque o que está em jogo é a Bahia, é o Brasil”, afirmou, citando obras estruturantes e a forma como, segundo ele, o Estado tem sido governado “com transparência, com segurança e com tranquilidade”.
