Na sessão que marcou a abertura dos trabalhos legislativos de 2026 na Câmara Municipal de Salvador, o vereador Randerson Leal (Podemos), recém-empossado como líder da oposição, adotou um discurso mais duro em relação à prefeitura. Para ele, a relação entre os poderes Executivo e Legislativo está desequilibrada, tendo como principal exemplo a demora no envio do novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU).
De acordo com o parlamentar, o projeto já deveria estar em tramitação há quase dois anos, e a ausência da proposta na Câmara inviabiliza um debate amplo sobre os rumos da capital baiana. “As pessoas precisam saber o que está sendo planejado para Salvador. A Câmara precisa abrir esse debate, com audiências públicas, para pensar a cidade pelos próximos oito anos”, afirmou.
Randerson também sinalizou que a oposição pretende intensificar a fiscalização sobre o sistema de transporte público, tema considerado delicado para a atual gestão municipal. Ele voltou a criticar o subsídio de R$ 190 milhões aprovado pelo Legislativo com o objetivo de evitar o aumento da tarifa de ônibus, argumentando que a medida perdeu sua razão de ser após o reajuste ter sido aplicado logo no começo do ano. “Foi uma surpresa desagradável para a população. A gente precisa abrir essa caixa-preta, conhecer os números e entender para onde esse dinheiro está indo”, disse, ao defender mais transparência da prefeitura.
Além disso, o vereador apontou a distribuição das emendas impositivas como outro foco de conflito. Segundo ele, parlamentares da oposição continuam sem acesso aos recursos, enquanto integrantes da base governista são beneficiados. Na avaliação de Randerson, a prática viola o princípio da isonomia e enfraquece a atuação do Legislativo junto às comunidades. “Se vereadores de situação recebem emendas, os de oposição também precisam receber. Isso não é favor, é respeito institucional”, criticou.