Em meio ao impasse sobre a formação da chapa governista na Bahia, o senador Angelo Coronel (PSD) afirmou neste sábado (31) que foi excluído das articulações para a disputa ao Senado e que avalia deixar o partido após o Carnaval. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Frequência News, da rádio Boa FM 96.
Coronel disse que, apesar das especulações, segue filiado ao PSD e ainda não tomou uma decisão definitiva sobre seu futuro partidário. Segundo ele, qualquer posicionamento será amadurecido após consultas a aliados, apoiadores e pré-candidatos ligados ao seu grupo político. “Até então, eu continuo filiado ao PSD, não tenho ainda intenção de sair. A quaresma está longe, é depois do Carnaval que a gente deve tomar uma posição”, afirmou.
Acusações de exclusão na chapa governista
O senador relatou frustração com a condução interna do partido e com a coligação governista. Segundo ele, havia um acordo para que disputasse a reeleição pelo PSD, o que teria mudado nas últimas semanas. “Meu espaço foi cortado, me limaram dentro do partido, dentro da coligação com o governo. Estava tudo acertado, mas de um mês para cá houve uma mudança de rota”, disse.
Coronel atribuiu o impasse à decisão do PT de não incluí-lo na chapa majoritária e afirmou que tentou viabilizar uma candidatura avulsa ao Senado. A proposta, segundo ele, esbarrou na falta de autonomia partidária. “Propus disputar como candidato avulso, com o partido livre para coligações. Infelizmente, isso me foi negado”, declarou.
Relação com Otto Alencar e Kassab
Questionado sobre conversas com o presidente estadual do PSD, Otto Alencar, Coronel disse que não houve diálogo recente e destacou que Otto apoia a candidatura do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Ainda assim, afirmou ter recorrido ao presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, em busca de uma solução. “Fui pedir ajuda para ter condições de disputar a eleição pelo PSD”, disse, ao negar que tenha tentado assumir o comando da legenda.
O senador negou com veemência rumores de que teria articulado a tomada do controle do PSD na Bahia. “Isso não existiu. Inventaram uma mentira. Narrativas precisam ser criadas com respaldo”, afirmou, citando entrevistas concedidas a veículos de alcance nacional.
Conversas com outros partidos
Sobre uma eventual mudança de legenda, Coronel afirmou que tem sido procurado por dirigentes de diferentes partidos e que todas as possibilidades estão sendo analisadas com cautela. Ele destacou a necessidade de acomodar aliados e familiares que pretendem disputar eleições proporcionais. “Se alguém tiver que ser prejudicado nessa celeuma, que seja Angelo Coronel, não os amigos que confiaram em mim”, disse.
Ao comentar o afastamento da chapa governista, Coronel atribuiu o impasse à disputa por espaços políticos. “A ganância pelos cargos dessa chapa puro-sangue me tirou o direito de disputar. Disputar não significa ganhar, quem decide é a urna”, afirmou, questionando o que chamou de resistência à sua candidatura.
Relação com Jerônimo, Rui e Wagner
O senador disse que não tratou diretamente do tema com o governador Jerônimo Rodrigues e que designou o filho, o deputado federal Diego Coronel, como interlocutor junto às lideranças do governo. Segundo ele, as conversas com Jerônimo, Rui Costa e Jaques Wagner seguiram a mesma linha. “Toda a linha foi simplesmente Coronel não ser candidato”, afirmou.
Esperança de permanência
Apesar das críticas, Coronel disse manter laços pessoais com as principais lideranças do grupo governista e afirmou esperar que o respeito político seja preservado. Ao final, declarou ainda ter esperança de permanecer no PSD, partido que ajudou a fundar, mas ponderou que não aceitará ficar subordinado a decisões que inviabilizem sua candidatura. “Não sou eu que mando. Também não posso ficar à mercê de quem manda para não ter problema no futuro”, concluiu.
