O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), afirmou que não aceitará chantagens políticas de parlamentares da própria base e mandou um recado direto a vereadores insatisfeitos, ao dizer que quem quiser fazer oposição terá espaço para isso. A declaração foi interpretada no meio político local como um movimento para “colocar ordem na Casa” após indiretas e cobranças públicas de aliados.
Em fala contundente, Augusto relativizou o tamanho da base governista e disse que não trabalha com a lógica de apoio irrestrito. “Quem quiser fazer oposição, que faça oposição. Você tem 21 variadores. Eu ganhei a eleição em 2020 com 3 partidos. E agora com 13 partidos. O cobertor é curto, não dá pra tudo. Mas quem estiver comigo, eu não largo a mão”, afirmou.
O prefeito disse ainda que já tratou diretamente com um vereador sobre a possibilidade de ele migrar para a oposição e chegou a sugerir ampliar o número de parlamentares fora da base. “Eu encontrei hoje e tratei com o variador. Eu disse, eu quero você na oposição. Pronto. E falei pra Manuel, vamos botar mais uns dois na oposição. Porque as pessoas não acreditam”, declarou.
Segundo Augusto Castro, a existência de oposição é parte natural do processo democrático e não enfraquece a gestão. “Porque a oposição faz parte. O contraditório é importante. Não adianta dizer que o prefeito tem uma base de 100%. Ninguém tem. Você vai em qualquer cidade, existe”, disse.
O prefeito também afirmou que o critério central da relação política é a confiança e o alinhamento com as entregas da gestão. “Agora é confiança. Não é oposição com oposição. Porque na hora de colher os frutos, a gente vai saber colher os frutos e dizer, aqui o prefeito fez. Aqui o prefeito levou pavimentação. Aqui o prefeito trouxe mais água. Aqui o prefeito trouxe a quadra. O posto de saúde”, afirmou.
As declarações ocorrem em meio a ruídos na base aliada na Câmara Municipal de Itabuna, com vereadores cobrando mais espaço político e participação no governo. Ao endurecer o discurso, Augusto Castro sinaliza que prefere uma base menor, porém mais fiel, do que apoio condicionado a pressões públicas.
