O prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos (União Brasil), criticou nesta terça-feira (20) o aumento dos cachês cobrados por artistas para apresentações nos festejos juninos da Bahia e afirmou que os valores tornaram-se incompatíveis com a realidade fiscal dos municípios. A declaração foi feita durante entrevista coletiva na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador.
Segundo o prefeito, a escalada dos preços tem inviabilizado a realização de eventos de grande porte, tradicionais no calendário cultural baiano. Para ele, não há critérios claros que justifiquem os reajustes. “O problema é que para os municípios tornou-se inviável fazer eventos de grande porte, como se fazia no passado, por conta dessa inflação, parece que criaram um indexador próprio. Parece que não se obedece mais à inflação, não se obedece a nenhum tipo de taxa, nenhum tipo de indexador”, afirmou.
Carlos Matos citou exemplos de aumentos expressivos de cachês em um curto intervalo de tempo. “Artistas, como foi citado aqui, que no ano passado tocou por 500 mil, está sendo elevado o valor para 800 mil reais. Isso é impossível”, disse. Para ele, a situação afeta diretamente a competitividade da Bahia, historicamente o principal polo dos festejos juninos no país.
Na avaliação do prefeito, outros estados e municípios passaram a ter maior poder de contratação, enquanto cidades baianas enfrentam dificuldades financeiras. “A Bahia, que é o maior mercado de festejos unidos do Brasil, está perdendo espaço justamente porque esse poder econômico, outros municípios, outros estados, estão tendo até maior do que nós”, declarou, citando também o caso de Jequié, mencionado pelo prefeito Zé Cocá (PP), que apesar de ter arrecadação relevante, enfrenta pressão nas contas públicas.
Carlos Matos ressaltou que o problema não se restringe a Riachão do Jacuípe e atinge grande parte do estado. “O município de Riachao de Jacuipe é o meu município mas todos aqui falam em nome de um município e todos que fazem eventos da Bahia dos 417 municípios eu acho que mais de 200 municípios promovem festejos juninos. E isso tornou insuportável pagar os valores exorbitantes”, afirmou.
O prefeito frisou que as críticas não são direcionadas aos artistas ou aos escritórios de produção, mas à sustentabilidade do gasto público. “Então não é nada contra o artista, não é nada contra as produtoras e os escritórios. Nós estamos aqui olhando o lado do erário público. A nossa preocupação é com o erário público e a população quer o evento”, disse.
Segundo ele, a discussão já envolve dirigentes da UPB e representantes do Ministério Público. “O presidente Wilson Cardoso e o Zé Coca colocaram muito bem. Já foi discutido. Eu conversei pessoalmente tanto com o doutor Pedro Maia como também com a doutora Rita Tourinho. E foram simpáticos a ideia de se discutir”, afirmou.
Carlos Matos defendeu que o debate seja ampliado para outros estados do Nordeste, onde os festejos juninos têm grande relevância cultural e econômica. “Essa é uma questão que nós podemos levar também ao Nordeste do Brasil. Aqui, outras entidades, ao Ministério Público de outros estados nordestinos, que é onde acontecem os maiores fecimentos unidos, façam isso, junte-se a nós para tentarmos viabilizar a realização dos eventos sem sacrificar tantos os cofres públicos”, concluiu.
