O senador Jaques Wagner (PT) ironizou nesta segunda-feira (12) os rumores de que teria articulado um acordo no Senado em torno da votação sobre a dosimetria das penas relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro. Em tom de brincadeira, o petista afirmou que apenas cumpriu seu papel no processo legislativo e celebrou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao trecho aprovado pelos parlamentares.
A declaração foi feita durante visita técnica à nova Rodoviária de Salvador, ao lado do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT). Segundo Wagner, a polêmica gerou desgaste interno, mas decorreu de uma incompreensão sobre a estratégia adotada. “Gerou uma rusga que o povo nem todo mundo enxerga o que a gente está preparando”, afirmou.
O senador disse que a condução da votação no Congresso abriu caminho para a decisão final do presidente. “Eu botei a bola na marca do pênalti e o presidente Lula chutou no dia 8 de janeiro. Se eu não tivesse preparado o jogo, não tinha aquela faixa dele levantar aquela coisa lá”, declarou, em referência ao gesto simbólico de Lula ao apresentar publicamente o veto na data que marcou um ano dos ataques às sedes dos Três Poderes.
Wagner negou qualquer tipo de negociação paralela para aprovar a matéria no Senado. “Eu não negociei nada. Eu fiz o que tinha que fazer, botei pra votar. Eles tinham voto, aprovaram”, disse, reforçando que a prerrogativa final cabia ao Executivo.
Em tom descontraído, o senador brincou com a repercussão do ato presidencial. “O presidente Lula, no dia 8, desceu lá a rampa mostrando pra todo mundo o veto, aquela foto. Foi a foto do dia. Se tivesse, assim, crédito, eu ia botar crédito, fotógrafo e embaixo patrocinador Jaques Wagner”, afirmou.
Aliado histórico de Lula, Wagner tem sido uma das principais vozes do PT no Senado e atuado como articulador político do governo. O veto presidencial foi comemorado por setores da base governista, que viam risco de flexibilização das penas impostas aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, e reacendeu o debate sobre os limites da atuação do Congresso e do Executivo no tema.
