O silêncio do senador Angelo Coronel (PSD) em meio às articulações para a formação da chapa governista na Bahia tem provocado apreensão e desgaste no núcleo político do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A ausência de qualquer posicionamento público do parlamentar ocorre justamente no momento em que a base aliada tenta acomodar interesses e definir os nomes para a disputa eleitoral, especialmente no contexto da reeleição do governador.
Segundo relatos de bastidores, o clima é de nervosismo. Segundo informações do site Informe Baiano, Jerônimo já “bateu na mesa” e deixou claro que não admite, no ano de sua tentativa de recondução ao cargo, “tanta confusão” em torno da montagem da chapa. Ainda assim, Coronel manteve-se em silêncio absoluto.
Nem mesmo a recente declaração do senador Otto Alencar (PSD), que buscou publicamente defender a permanência de Coronel na base aliada e, ao mesmo tempo, reduzir desgastes envolvendo o senador Jaques Wagner (PT), foi suficiente para alterar o cenário. Coronel não reagiu. Não confirmou disposição para permanecer na chapa, tampouco sinalizou rompimento. Optou por não falar.
O silêncio, segundo aliados e interlocutores, tem sido mais eloquente do que qualquer declaração. Ao longo dos últimos dias, jornalistas de diferentes veículos tentaram contato com o senador, sem sucesso. Coronel não atendeu ligações, não respondeu mensagens e evitou qualquer manifestação pública. Nos bastidores da política baiana, a postura é interpretada como um fator adicional de pressão sobre o Palácio de Ondina.
Até o momento, não há definição formal por parte do senador. Seus filhos, os deputados Diego Coronel e Angelo Coronel Filho, também não fecharam posição sobre o futuro político do grupo. Já Eleusa Coronel, esposa do senador, citada como possível candidata a vice-governadora, recebeu a menção “com alegria”, segundo o Informe Baiano, mas tratou o assunto como especulação, sem indicar que haja uma construção concreta de candidatura.
Enquanto a indefinição persiste, aliados do governador avaliam que o impasse dificulta o avanço das negociações e amplia o risco de fissuras na base governista. A expectativa, nos próximos dias, é de que a pressão política aumente para que Angelo Coronel rompa o silêncio e esclareça qual papel pretende desempenhar no projeto de reeleição de Jerônimo Rodrigues.
