O senador Jaques Wagner (PT) afirmou nesta segunda-feira (5) que o grupo político que governa a Bahia há quase duas décadas tem “maturidade” suficiente para construir uma chapa unificada para as eleições de 2026 e afastar a possibilidade de um racha interno. Segundo ele, as negociações seguem em curso e há disposição dos partidos aliados para chegar a um consenso.
“Nós temos maturidade, o grupo é um grupo que fez todos os partidos políticos crescerem”, disse o senador, em entrevista à rádio Continental. Wagner ressaltou que as legendas que integram a base governista ampliaram espaço político ao longo dos últimos anos e citou nominalmente partidos e lideranças que, segundo ele, se fortaleceram dentro da aliança.
Ao relembrar a trajetória do grupo, o senador destacou que a coalizão teve início com sua eleição ao governo do Estado, em 2006, e acumula cinco vitórias consecutivas ao Palácio de Ondina. “Estamos com a quinta vitória, completando 19 anos. Eu gosto de dizer 19 anos de muito trabalho bem feito para a Bahia”, afirmou, mencionando as gestões dele próprio, de Rui Costa e do atual governador Jerônimo Rodrigues, todos do PT.
Wagner rejeitou a ideia de que a base seja controlada por uma única liderança e afirmou que o diálogo é uma marca da aliança. “O grupo não é aquele grupo que tem um dono e todo mundo faz o que o cara quer. É um grupo que é aberto, que a gente dialoga”, disse.
O senador também procurou relativizar as críticas sobre uma eventual chapa “puro-sangue” do PT em 2026, caso o governador Jerônimo Rodrigues dispute a reeleição tendo outros petistas como opções para compor a candidatura majoritária. Para Wagner, a leitura ignora o histórico político dos nomes envolvidos. “São dois ex-governadores e um governador que vai para a reeleição. Eu acho que são muito mais coincidências do que um desejo de ser”, afirmou.
Segundo ele, a classificação como “puro-sangue” costuma ser usada de forma negativa, mas não reflete, na avaliação do senador, a dinâmica do grupo. “Não é PT que quer tudo. É uma coincidência”, disse, ao argumentar que o peso político dos cargos ocupados pelos possíveis candidatos deve ser levado em conta.
Wagner afirmou ainda que as discussões internas têm prazo para avançar e que a expectativa é preservar a unidade da base. “A gente se deu o prazo até janeiro para tentar equacionar isso. Estamos conversando e eu acho que todo mundo quer manter o grupo unido”, declarou. Para o senador, há espaço para acomodar os interesses dos partidos aliados e evitar rupturas na corrida eleitoral de 2026.
