O governo brasileiro reconheceu a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, como presidente interina do país após a prisão de Nicolás Maduro em operação militar conduzida pelos Estados Unidos. A posição foi confirmada na noite de sábado (3) pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, durante entrevista coletiva em Brasília.
“Na ausência do atual presidente Maduro, é a vice. Ela está como presidente interina. O que está na declaração do presidente continua sendo a posição do Brasil, que será apresentada também na reunião do Conselho de Segurança”, afirmou Maria Laura.
O reconhecimento ocorre em meio à escalada da crise diplomática após o ataque dos EUA à Venezuela, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa. Ao comentar a ofensiva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a ação como uma “afronta gravíssima à soberania” venezuelana e afirmou que foi ultrapassado um limite “inaceitável”. A declaração foi divulgada nas redes sociais do próprio presidente.
Segundo a ministra interina, o Brasil levará ao Conselho de Segurança da ONU novas manifestações formais de repúdio à ação americana. A reunião do órgão está prevista para a próxima segunda-feira (5). De acordo com o Itamaraty, a posição brasileira seguirá baseada na defesa da soberania, do direito internacional e do multilateralismo.
Ainda no sábado, Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela em uma cerimônia reservada, cujo local não foi divulgado. Segundo informações da imprensa internacional, no momento do ataque dos Estados Unidos, Rodríguez retornava da Rússia, onde cumpria missão oficial.
Em pronunciamento já em território venezuelano, Rodríguez afirmou que o país não aceitará a ofensiva americana e exigiu o retorno de Maduro. Ela declarou que considera o líder chavista o “único presidente legítimo” da Venezuela e rejeitou qualquer tipo de tutela estrangeira. “Não aceitaremos ser colônia dos norte-americanos”, disse.
A decisão do governo brasileiro de reconhecer Rodríguez como presidente interina reforça o alinhamento de Brasília à leitura constitucional da sucessão venezuelana e amplia o contraste com países que apoiaram a ação militar dos Estados Unidos, aprofundando as divisões diplomáticas na América Latina diante da crise em Caracas.
