O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, avaliou nesta quarta-feira (17) o cenário econômico projetado para 2026, destacando os efeitos da política fiscal e o impacto das dificuldades financeiras sobre o desempenho do setor produtivo.
Na visão do dirigente, a atualização da tabela do Imposto de Renda representa uma medida correta do ponto de vista técnico. No entanto, ele criticou a estratégia adotada pelo governo para compensar a perda de arrecadação, apontando fragilidades na condução das despesas públicas.
Atualização do IR e a lógica do gasto público
Passos observou que a correção da tabela do Imposto de Renda atende a uma defasagem acumulada ao longo de anos, sendo uma das primeiras revisões mais relevantes desde o governo Dilma Rousseff. Ainda assim, ele questionou a necessidade de buscar novas receitas para viabilizar uma medida que, segundo ele, deveria ser tratada como mera atualização monetária.
“O Estado aprendeu a gastar não corrigindo [a tabela], e para corrigir tem que buscar a contrapartida de outro. É a coisa prática. No fundo, foi apenas uma correção, mas a política e a comunicação transformam isso em um marco”, criticou o presidente da FIEB.
Endividamento em níveis preocupantes
Outro ponto central da análise foi o avanço do endividamento no país. Carlos Henrique Passos alertou que as ações adotadas anteriormente para aliviar a situação financeira de famílias e empresas não conseguiram interromper o ciclo de inadimplência.
No caso das famílias, mesmo após programas de renegociação implementados no início do atual mandato, os níveis de dívida voltaram a crescer, restringindo o consumo. Já entre as empresas, o dirigente destacou que o endividamento das pequenas e médias companhias alcançou um patamar crítico, o que pode levar o governo federal a lançar novas iniciativas de apoio.
Impactos sobre o mercado de trabalho
Para a indústria baiana, esse contexto de elevado endividamento — somado à manutenção de juros em torno de 15% ao ano — tende a pressionar ainda mais o ambiente econômico em 2026. Segundo Passos, o principal desafio será sustentar a atividade produtiva em meio ao esforço simultâneo de empresas e consumidores para reorganizar suas finanças.
“Temos alguns desafios enfrentados no mundo do trabalho. O nível de endividamento das empresas e das famílias está muito elevado, e já vemos o governo pensando em medidas de socorro pelo nível em que chegamos”, concluiu.
