O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), defendeu nesta sexta-feira (12) a necessidade de uma mobilização articulada entre governos, escolas, imprensa e sociedade para enfrentar a violência contra a mulher. A fala ocorreu durante o lançamento do Baralho Lilás, ferramenta inédita no país criada para apoiar a identificação e a captura de agressores com mandados de prisão.
A iniciativa, apresentada pela Secretaria da Segurança Pública em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, reúne fotos e informações de suspeitos denunciados por feminicídio, estupro, violência doméstica e outros crimes de gênero. O governo afirma que o material reforça a política de priorização de casos envolvendo violência contra mulheres.
Em seu discurso, Jerônimo endossou a diretriz anunciada nesta semana pelo presidente Lula (PT), que elevou o enfrentamento à violência de gênero a prioridade nacional. Segundo o governador, o avanço das políticas públicas depende também de uma mudança cultural. “Os homens que cometem qualquer tipo de violência contra a mulher. Essa semana o presidente Lula estabeleceu um parâmetro muito forte para que nós possamos entender que a violência contra a mulher se encontra em diversas justificativas, inclusive algumas delas colocando a culpa na mulher, por vestir uma roupa assim ou assado. A gente é que tem uma cultura de deformação na gente”, afirmou.
O governador destacou que a convocação para atuar contra a violência deve incluir os próprios homens, mencionando que todos convivem com mulheres em suas famílias. “Nós temos que criar essa cultura naqueles que infelizmente tiveram a formação ao longo do seu trajeto de homem totalmente deformado. A imprensa precisa ajudar a gente, a escola precisa também pelo currículo que ajude e em cada secretaria a obrigatoriedade nossa de podermos dentro de um governo que está dando o recado e a sua prática de respeito às mulheres”, disse.
Antes de encerrar, Jerônimo afirmou que o tema, apesar de central, não é motivo de satisfação política. “Eu não posso dizer que fico feliz porque por mais que seja uma obrigatoriedade de quem compreende o que significa o respeito às mulheres, a gente faz isso como obrigação. Mas eu não registro a palavra feliz porque o desejo nosso é que a gente pudesse estar gastando energias com outras coisas que não essa de poder ficar divulgando e ocupando um tempo nosso para procurar homens que praticam atrocidades contra mulheres”, concluiu.
