O senador Otto Alencar (PSD-BA) afirmou nesta segunda-feira (1º) que o impasse entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em torno da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa ser conduzido “com moderação” para evitar uma crise institucional. O parlamentar disse atuar nos bastidores para distensionar a relação entre Planalto e Senado e viabilizar a sabatina do advogado-geral da União.
“O presidente Lula tem o tempo dele, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem o tempo dele também, e eu tenho o meu na CCJ”, afirmou Otto, ao comentar a tramitação da indicação. Para o senador, a nota divulgada por Alcolumbre no domingo não passou de uma reação à narrativa de que o presidente do Senado estaria “travando” o processo. “É uma grande mentira, uma mentira deslavada. O Davi nunca falou isso”, disse.
Otto atribuiu parte da tensão ao fato de Alcolumbre ter defendido o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que, segundo ele, era o preferido de muitos senadores. “O Pacheco foi amigo de todos os senadores. Ele se postou contra as investidas do bolsonarismo, contra as insinuações de fraude nas urnas, foi firme contra o 8 de janeiro. Havia uma expectativa do nome dele”, afirmou.
Mesmo assim, Otto reforçou que a prerrogativa da escolha é exclusiva do presidente da República. “O presidente encaminhou o nome do Messias. Vai ter agora que se conversar e ver como é que vai fazer”, disse, relatando conversas com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e com o secretário de Relações Institucionais do governo, Alexandre Padilha.
O senador defendeu que o clima seja reduzido e que a interlocução prevaleça. “Na minha cabeça, nesses momentos, o que você não resolve com moderação, você não resolve com exaltação. Essas declarações intempestivas não combinam com o momento que o Brasil vive”, afirmou.
Otto disse estar empenhado em atuar como mediador: “Vou procurar intermediar, ajudar da melhor forma possível.” Segundo ele, líderes de outros partidos, como o senador Eduardo Braga (MDB-AM), concordam com a necessidade de pacificação.
“Não adianta o estado de desentendimento entre o presidente da República, o presidente do Senado e o presidente do Congresso. Nada disso pode evoluir para um conflito grave diante da situação que o país vive hoje”, concluiu.

