O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou nesta quarta-feira (26) que a montagem da chapa governista ao Senado para 2026 será definida internamente, sem ruptura entre os aliados e em diálogo direto com o senador Angelo Coronel (PSD). A declaração foi dada em entrevista à rádio Alvorada, de Guanambi, em meio ao acirramento das disputas por espaço entre PT e PSD.
Wagner reconheceu que há três nomes colocados, o dele próprio, o de Coronel e o do ministro da Casa Civil, Rui Costa, para apenas duas vagas, mas disse confiar na capacidade de conciliação do grupo. Segundo ele, a existência de “torcidas organizadas” externas tenta amplificar divergências que, na sua visão, não existem dentro da base.
“Três bons nomes, Ângelo Coronel, Jaques Wagner e Rui Costa, que pleiteiam ser senadores, só tem duas vagas. Eu sou daqueles, e a Bahia toda me conhece, eu sou um conciliador. Então, eu tô dizendo que o grupo não racha, eu tenho convicção que a gente vai acomodar”, afirmou. O senador acrescentou que setores adversários tentam explorar a disputa interna como fragilidade. “É óbvio que tem torcida organizada do outro lado, ah, vamos rachar, o outro fala, ah, vocês querem tudo pro PT. Não é querer tudo pro PT.”
Wagner utilizou parte da entrevista para relembrar decisões passadas da base e justificar a atuação de Rui Costa na disputa atual. Ele disse que tanto ele quanto o ex-governador concluíram seus mandatos, ao contrário de outros governadores reeleitos que costumam se desincompatibilizar em abril para disputar o Senado. “Rui ficou até o final, como eu fiquei também. Em 2014 eu poderia ter saído para senador. Eu falei: ‘Otto, vai você’. Fiquei sem mandato e fui trabalhar com Dilma. Quatro anos depois fui eleito senador em 2018, junto com Coronel.”
O petista afirmou que, à época, também havia múltiplas pré-candidaturas dentro da base, mas que o grupo conseguiu encontrar uma solução comum. “Naquela vez também tinha o meu nome, o nome de Coronel, o nome de Lídice e o nome de Pinheiro. Acabamos acomodando. A Lídice foi pra federal.”
Agora, ele diz repetir o mesmo método, com conversas frequentes com Ângelo Coronel. “Eu posso lhe garantir que nós vamos resolver esse problema dentro da família”, declarou.
Wagner também procurou afastar a leitura de que, caso ele e Rui Costa formem a chapa, haveria hegemonia petista. Para ele, uma eventual candidatura dupla de ex-governadores se sustenta pela força política dos nomes. “Se for eu e Rui, porventura os dois senadores, não se trata de uma chapa petista. É uma chapa de dois ex-governadores. Qualquer prefeito vai dizer: essa chapa é muito forte.”
O senador afirmou que a decisão final deve ocorrer no início de 2026. “Em janeiro temos que sentar e bater o martelo, mas vamos resolver sem briga, sem rusgas e sem racha”, disse.
