O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), elevou o tom contra o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) após críticas à sua fala sobre atendimentos hospitalares em corredores. Em entrevista à rádio Itapoan nesta segunda-feira (17), o petista acusou o adversário de distorcer declarações para produzir conteúdo político e disse que Neto age “das varandas dos playgrounds, sentado no ar-condicionado”.
“Gostaria de mandar um recado para o pessoal que fica nas varandas dos playgrounds dos apartamentos, fazendo política sentado no ar-condicionado olhando para a praia. O ex-prefeito de Salvador fica fazendo cortes. Não sei se está apaixonado, não sei o que está acontecendo. Não tenho preconceito com esse comportamento não, mas deve estar acontecendo alguma coisa, ou está desesperado”, afirmou Jerônimo.
A reação ocorre após Neto divulgar críticas relacionadas à fala do governador sobre permitir que pacientes sejam atendidos em corredores de hospitais — trecho que, segundo o petista, foi tirado do contexto. Jerônimo argumentou que sua orientação é garantir atendimento integral, independentemente das condições estruturais momentâneas das unidades.
“Quando peço à secretária Roberta informações sobre os hospitais, ela diz que tem gente nos corredores, em maca ou cadeira. E eu repito: pode deixar as pessoas chegarem para serem atendidas no corredor, se não tem lei, se não tem porquê, está tudo certo. O que eu estou dizendo é que não podemos fechar a porta. Não falei e não falarei que as pessoas devem ficar no corredor. Eu disse: atenda, receba, resolva”, afirmou.
O governador afirmou que não teme ser questionado pelo Ministério Público por defender a manutenção do atendimento mesmo em condições improvisadas. “Eu vou atender, seja no corredor, dentro da ambulância ou fora. Não vai ficar ninguém voltando de nenhum hospital que não teve atendimento”, disse.
Jerônimo também criticou o que chama de uso político do tema da regulação e da superlotação, argumentando que parte significativa dos pacientes que chegam aos corredores poderia ser atendida na rede municipal antes de procurar hospitais estaduais. “A secretária Roberta me manda: 90% das pessoas que estão nos corredores não era para estar ali. Era para ser atendido no hospital municipal, numa UBS, numa policlínica. Mas as pessoas usam isso como tema político”, afirmou.
Apesar dos ataques indiretos ao ex-prefeito, Jerônimo ressaltou que não atribui formalmente a responsabilidade ao município, mas sugeriu que a discussão tem sido manipulada por adversários. O petista mencionou que vem tratando da regulação com prefeitos aliados, como José Ronaldo de Feira Santana, e disse considerar necessário ampliar o debate sobre o fluxo de atendimento.
