Durante a mesa “Desafiar”, realizada nesta sexta-feira (24) no segundo dia da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) 2025, a jornalista e ativista feminista Manuela D’Ávila destacou a importância de transformar o feminismo em instrumento de luta política e de tornar o espaço público mais seguro e inclusivo para todas as mulheres.
“Eu me abasteço para tentar transformar esse mundo em lugar que seja bom para que todas nós vivamos do jeito que quisermos ser. E para isso é preciso transformar o feminismo num instrumento de luta política. Esse feminismo que nos engaja em um projeto de transformação radical, de emancipação de todas nós”, afirmou Manuela diante de uma plateia lotada.
A ex-deputada também comentou sobre a polêmica envolvendo a influenciadora digital e educadora Cíntia Chagas, que recentemente abordou publicamente a violência doméstica que sofreu. Manuela defendeu a construção de pontes e a ampliação do diálogo em torno da emancipação feminina.
“Aquele debate foi tão forte e tocou a todos nós porque diz muito sobre emancipação. É preciso construir pontes e parar de dizer que estamos certas, e tentar trazer outras mulheres e outros homens pro nosso lado da luta, da emancipação das mulheres. Ainda que essa luta não seja igual entre mulheres brancas, negras, ricas e pobres”, destacou.
A ativista refletiu ainda sobre a forma como as mulheres são socializadas para priorizar os outros e não se colocarem como protagonistas de suas próprias histórias. “Amar o próximo como a nós mesmas não é simples. Nós somos educadas para pensar só no outro e jamais em nós mesmas como protagonistas da história. E, portanto, somos capengas na possibilidade de transformação. Acho que a gente precisa de uma equação, talvez um novo poder, um poder que as mulheres se colocam dentro da sociedade”, explicou, recebendo aplausos do público.
Manuela também criticou os ataques e caricaturas que mulheres públicas enfrentam, lembrando que o feminismo deve ter alcance coletivo. “Nada do que nós fazemos é capaz de superar a violência que sofremos individualmente porque ela é coletiva. É uma sacanagem parecer que é sobre uma de nós quando é sobre todas as mulheres. O meu feminismo não é pra reafirmar quem eu sou. A nossa luta é pra mudar o mundo e não pra ser feliz só”, concluiu.
A Flica 2025, que teve início na quinta-feira (23), segue até domingo (26) em Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, com debates, mesas literárias e atividades culturais voltadas para o fortalecimento da literatura e da cidadania.
