A Polícia Federal apontou, em manifestação encaminhada ao STF (Supremo Tribunal Federal), indícios de participação do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA) em um esquema de fraudes a licitações e desvios de recursos públicos investigado pela Operação Overclean. O inquérito apura contratos de limpeza urbana e pavimentação em municípios baianos. As informações são da coluna Natália Portinari, do UOL.
Na última fase da operação, em julho, a PF pediu busca e apreensão contra o parlamentar, além do bloqueio de bens e do afastamento do irmão dele, Elmo Nascimento (União), prefeito de Campo Formoso (BA). O relator do caso, ministro Nunes Marques, negou as medidas contra ambos, mas autorizou diligências em relação a outros investigados. A PGR (Procuradoria-Geral da República) considerou que os elementos levantados contra o deputado eram apenas circunstanciais.
De acordo com a investigação, em Campo Formoso duas licitações de pavimentação — que somaram R$ 51 milhões — foram vencidas pela empresa Allpha Pavimentações, ligada aos empresários Alex e Fábio Parente. Os contratos foram financiados com emendas parlamentares indicadas por Elmar. Conversas apreendidas pela PF sugerem que o processo licitatório foi manipulado por Francisco Nascimento, primo do deputado e então secretário-executivo da prefeitura, em articulação com o pregoeiro e empresários.
Uma planilha encontrada com Alex Parente registra repasses de R$ 493 mil a Amaury Albuquerque Nascimento, assessor e primo do parlamentar. A PF também apontou como suspeita a compra de um apartamento por Elmar da filha do empresário Marcos Moura, conhecido como “rei do lixo”, por valor abaixo do mercado.
A defesa do deputado nega qualquer participação no esquema ou recebimento de vantagens. Segundo seus advogados, eventuais contatos do parlamentar com empresários ou gestores fazem parte da rotina do cargo.
Apesar de ter rejeitado as medidas contra Elmar e Elmo, Nunes Marques autorizou o afastamento do então presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). À época da decisão, no entanto, ele já havia deixado o cargo.
