A cidade de Valença, no Baixo Sul da Bahia, celebrou na quarta-feira (30) a força e a ancestralidade da mulher negra com um encontro vibrante e repleto de significado. Realizado no auditório do CEEPS (antigo COESVA), o Encontro de Mulheres Negras de Valença reuniu vozes potentes sob o tema “Por Reparação Social e Bem-Viver”. A iniciativa foi promovida pela Prefeitura, através da Secretaria de Políticas para Mulheres e Reparação Social (SEMPRE) e do programa Valença Sem Racismo.
O evento contou com rodas de conversa, apresentações culturais, falas institucionais e momentos de escuta, refletindo sobre temas urgentes como racismo estrutural, saúde da mulher negra, acesso à educação, participação política e visibilidade social. O clima foi de partilha e resistência, reconhecendo a luta coletiva que molda as trajetórias das mulheres negras valencianas.
Luciene Silva, representante da SEMPROS, reforçou a importância de abrir espaços legitimos de escuta e protagonismo. “Reparar é ouvir, reconhecer e garantir voz a quem foi historicamente silenciada. Políticas públicas efetivas se constroem com a presença ativa das mulheres negras em todos os espaços de decisão”, declarou.
Um dos momentos mais emocionantes veio da artista e educadora Maria Célia, do grupo Afro Filhos da Terra, que apresentou a performance “Sou Eu”, entrelaçando arte, ancestralidade e resistência. “Meu corpo é o meu território de luta. Ensino às nossas crianças que ser negro é motivo de orgulho, que nossa cultura é viva e deve ser respeitada”, afirmou, sob aplausos.
O encontro foi mais que uma celebração, foi um ato político de reafirmação identitária, em que a memória, a arte e a luta caminharam juntas em nome de um futuro mais justo.
