Um espaço dedicado à memória, resistência e contribuição histórica das mulheres negras, especialmente daquelas reconhecidas por sua luta contra injustiças e discriminações. Esse é o objetivo do Memorial das Mulheres Negras Maria Felipa de Oliveira, proposto por meio do Projeto de Indicação (PIN) da vereadora Eliete Paraguassu (PSOL), apresentado à Câmara Municipal de Salvador.
O PIN nº 34.642/2025, atualmente em tramitação na Casa Legislativa, sugere ao Poder Executivo Municipal a criação do memorial como um gesto de reparação histórica a Maria Felipa, heroína da independência baiana que, por muito tempo, foi invisibilizada pela historiografia oficial.
Segundo a parlamentar, a iniciativa integra um processo de valorização da ancestralidade negra e de reparação histórica. “Nosso mandato entende que é necessário homenagear e reconhecer a importância das mulheres negras como protagonistas na luta por seus direitos e na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Além disso, com a criação do Memorial Maria Felipa, vamos fortalecer a educação antirracista no município e valorizar referências fundamentais para as novas gerações”, destaca a vereadora.
O projeto sugere que o memorial funcione em um espaço físico já existente em Salvador — como escolas, centros culturais ou bibliotecas públicas — ou, ainda, de forma itinerante, com ações realizadas em bairros, comunidades quilombolas, escolas públicas e praças, por meio de rodas de conversa, exposições, oficinas e cine-debates.
Heroína
Maria Felipa de Oliveira foi uma mulher negra, marisqueira e liderança da Ilha de Itaparica, que desempenhou um papel fundamental na luta contra as tropas portuguesas durante o processo de independência da Bahia, em 1823. Ao lado de outras mulheres negras e indígenas, resistiu bravamente às investidas coloniais, sendo reconhecida por atos de bravura, como a expulsão de soldados e a queima de embarcações inimigas.
Após décadas de invisibilidade, em 2018, Maria Felipa foi oficialmente reconhecida como Heroína da Pátria Brasileira e teve seu nome inscrito no “Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves”, em Brasília.

