Autora da Lei da Zabumba, que desde 2017 reserva uma cota de contratos para artistas locais em eventos culturais patrocinados com recursos públicos em Salvador, especialmente nos festejos juninos, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) defende os forrozeiros que estão fazendo declarações contra a contratação de cantores nacionais de outros ritmos para o São João.
“É preciso manter a tradição e valorizar o arrasta-pé autêntico, o chamado pé de serra, porque esses artistas esperam o ano todo por essa época do ano e isso aquece a economia local nas cidades nordestinas, inclusive em Salvador”, argumenta.
Orgulhosa por ter contribuído para fortalecer o segmento, Aladilce observa que a economia solidária também tem seu melhor momento nas festas juninas, com a venda de roupas da época, adereços, comidas típicas, licores, doces e fogos; os setores de hospedagens e restaurantes faturam com a presença de turistas; costureiras são convocadas para a confecção dos trajes das quadrilhas e caipiras; ou seja, movimenta o comércio como um todo”.
Pelourinho lotado
Entre os artistas que se manifestaram recentemente sobre a contratação de atrações musicais não nordestinas está Léo Estakazero. Para ele, “é um feriado nordestino, que celebra nossa cultura, então eu acho que nós deveríamos ser priorizados”.
Uma prova da preferência do público por atrações do autêntico forró no São João, segundo Aladilce, é a superlotação registrada todos os dias da programação no Pelourinho. “Mesmo quem fica em Salvador faz questão de manter a tradição e quer ver atrações da época. É a vez dos artistas da terra serem valorizados”, diz a vereadora, líder da Bancada da Oposição.

