A Câmara Municipal de Paripiranga, no noroeste da Bahia, enfrenta uma grave crise institucional marcada por acusações de que a Prefeitura estaria mobilizando servidores públicos e orientando vereadores da base governista a boicotar sessões legislativas. De acordo com denúncias, a manobra teria como objetivo impedir a posse do suplente Ival Rabelo de Souza (MDB), opositor ao prefeito Talisson Santa Rosa (PSD).
O impasse teve início após a renúncia do vereador Alexandre Magno Rodrigues de Oliveira (MDB), formalizada em 7 de abril. Segundo o Regimento Interno da Câmara (Resolução nº 01/2022), a vaga deveria ser preenchida mediante convocação e posse do suplente em sessão com quórum de maioria absoluta — ou seja, a presença de pelo menos seis dos onze vereadores.
Apesar das sessões convocadas para os dias 8, 11 e 24 de abril, a ausência dos parlamentares aliados ao prefeito impediu a formação do quórum necessário. Informações da própria Câmara indicam que a Prefeitura teria também mobilizado servidores comissionados, como professores, diretores escolares e profissionais de saúde, para pressionar e tumultuar as sessões do Legislativo.
A vereadora Neide Carvalho (MDB), presidente da Câmara, afirmou que não há necessidade de deliberação sobre o pedido de renúncia, considerando que se trata de um ato unilateral e pessoal, que produz efeitos imediatos sem a necessidade de votação. Ela declarou que impedir a posse do suplente configura uma afronta ao princípio democrático.
Na tentativa de garantir sua posse, Ival Rabelo acionou a Justiça, mas teve a liminar negada pelo juiz André Andrade Vieira, que decidiu pela manutenção da exigência de quórum estabelecida no regimento interno. Diante da decisão, membros da oposição anunciaram que pretendem recorrer ao Tribunal de Justiça da Bahia e intensificar as denúncias de “abuso do poder político” por parte da Prefeitura para manter a maioria na Casa.
