O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está buscando evitar que a denúncia de espionagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra o Paraguai se transforme em uma crise diplomática. O Palácio do Planalto orientou o Itamaraty a esclarecer ao governo paraguaio que a operação foi iniciada na gestão de Jair Bolsonaro e cancelada em março de 2023, durante a transição da Abin.
Após a revelação do caso, o Paraguai solicitou explicações ao embaixador do país no Brasil e cobrou um posicionamento do embaixador brasileiro em Assunção. A principal preocupação do governo paraguaio é saber se o Brasil utilizou informações obtidas ilegalmente para obter vantagens nas negociações sobre o valor da energia excedente vendida ao Brasil. O governo brasileiro nega qualquer uso indevido dos dados.
A negociação sobre o preço da energia está em andamento. O acordo anterior vigorou até dezembro de 2024, mas o Paraguai pediu prorrogação até maio deste ano. No entanto, a divulgação da espionagem pode impactar as tratativas, já que o país vizinho não quer aceitar uma redução no valor pago pelo Brasil.
O caso gerou insatisfação no governo Lula, que determinou uma investigação para apurar o vazamento das informações. O depoimento de um agente da Abin revelou detalhes da espionagem em um inquérito sobre a atuação irregular da agência durante a gestão anterior.
A Abin está sob nova direção desde maio de 2023, com Luiz Fernando Corrêa no comando. O governo brasileiro tenta agora minimizar os impactos do episódio para evitar danos às relações diplomáticas e comerciais com o Paraguai, parceiro estratégico na região.
