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Lucas Reis critica: “educação de Salvador vai muito mal”

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Candidato a deputado federal pelo PT, Lucas Reis criticou a educação pública de Salvador e comparou os avanços da rede estadual com os problemas enfrentados pelo município, especialmente na oferta de vagas em creches. Em entrevista ao Política Ao Vivo, o petista também rebateu críticas feitas pelo candidato adversário ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Segundo Lucas, o discurso utilizado atualmente contra Jerônimo seria semelhante ao adotado anteriormente contra ele próprio, quando ocupava a Secretaria da Educação da Bahia.

“O candidato adversário, que é o mesmo de agora, disse que se tratava do pior secretário de Educação da Bahia. Engraçado é que o enredo se repete. Ele agora fala que é o pior governador da história da Bahia. Nem a criatividade, para mudar o tom, ele consegue.”

Na sequência, Lucas destacou os avanços que, segundo ele, ocorreram na educação estadual nos últimos anos. O candidato afirmou que a Bahia possui mais da metade da rede pública de ensino em tempo integral e citou a expansão das escolas com esse modelo.

“E se você pegar todos os nossos avanços na área de educação, nós estamos há vários anos em ascensão. Nós somos o Estado que, do nosso tamanho, do nosso porte, que tem mais da metade da rede de ensino público da Bahia já em tempo integral. Estamos falando de mais de 740 escolas em tempo integral.”

Lucas cita experiência em Cajazeiras

Ao falar sobre a expansão da educação em tempo integral, Lucas utilizou a própria trajetória escolar para exemplificar as mudanças que, na avaliação dele, ocorreram na rede estadual.

Nascido e criado em Cajazeiras, em Salvador, o candidato afirmou que, durante sua juventude, havia poucas opções de escolas consideradas de referência na capital.

“Para gente estudar numa escola modelo, você tinha uma alternativa só, duas. Ou o pistolão, um deputado da base, à época, conseguia uma vaga no Thales de Azevedo, no Manuel Novas, no Odorico Tavares, ou ia estar um suposto sorteio, que se tinha das vagas remanescentes.”

Lucas contou que cursou o ensino médio no Colégio Estadual Edivaldo Brandão, em Cajazeiras, e afirmou que atualmente a unidade possui estrutura semelhante à de escolas localizadas em áreas mais valorizadas da capital.

“Eu estudei no Colégio Edivaldo Brandão, em Cajazeiras, o meu ensino médio. E hoje, o Colégio Edivaldo Brandão tem a mesma estrutura que o colégio do centro da cidade, que o filho de classe média baixa, que ainda acessa escola pública, estuda.”

O petista ampliou a comparação para outras regiões da Bahia e afirmou que o modelo de escolas com estruturas semelhantes também chegou a municípios do interior.

“Eu não estou falando só de Salvador, porque o colégio de Cajazeiras é o mesmo da Pituba, mas o colégio de um pequeno distrito, de uma cidade do interior da Bahia, também é o mesmo, porque o governador Jerônimo, nosso grupo político, trata igual normalmente os baianos.”

Lucas também citou unidades implantadas em diferentes bairros de Salvador como parte desse processo de expansão.

“Você tinha cinco escolas em Salvador que eram desejadas, cobiçadas. Hoje essa mesma escola tem em Jardim Cajazeiras, essa mesma escola tem na Vila Canária, que foi a primeira desse modelo que nós inauguramos na capital.”

Críticas à educação municipal

Após destacar os investimentos estaduais, Lucas direcionou as críticas à educação municipal de Salvador. Segundo ele, os indicadores da capital estão abaixo da média nacional e a cidade enfrenta uma demanda significativa por vagas em creches.

“É só você olhar os índices da educação de Salvador. Eles são muito abaixo da média nacional. Nós temos uma fila hoje em Salvador. Dado da prefeitura oficial, seis mil crianças esperando por uma vaga em creche.”

O candidato questionou ainda o número de unidades de educação infantil construídas pela administração municipal ao longo dos últimos anos. “Quantas creches eles construíram nesse período de 14 anos?”, questionou.

Parcerias com a iniciativa privada

Lucas afirmou que não é contrário a parcerias entre o poder público e a iniciativa privada, mas criticou a utilização de vagas em instituições particulares como alternativa à expansão da rede municipal.

“Eu quero dizer primeiro que eu não tenho nenhum preconceito com parceria do Estado, da Prefeitura, do Poder Público, de maneira geral, com a iniciativa privada.”

Como exemplo de parceria considerada positiva, o petista citou a Parceria Público-Privada (PPP) do Hospital do Subúrbio, implantada durante o governo de Jaques Wagner (PT).

“Aliás, nós fomos o primeiro Estado governado por um governador do PT, o governador Jaques Wagner, que fez uma PPP de saúde, que é o Hospital do Subúrbio, que é uma revolução, que é referência nacional. Então, nós não temos problema com fazer parceria com a iniciativa privada.”

Para Lucas, porém, a parceria na educação não pode significar a substituição da rede pública por vagas financiadas pelo poder público em escolas particulares.

“O que não dá é para você fechar a escola pública, para atender, para pagar a vaga em escola privada, que não se tem aferição de qualidade, porque não necessariamente a escola privada é melhor que a pública. Isso não é uma regra.”

O candidato também mencionou uma investigação do Ministério Público sobre a oferta de vagas em instituições privadas e afirmou que o órgão apura possíveis favorecimentos a grupos empresariais.

“O que nós temos, o que o Ministério Público está investigando, é que inclusive possa haver favorecimentos de pequenos grupos empresariais, possuidores de escolas, donos de escolas privadas em Salvador, e para isso é melhor ter uma fila e não construir escolas públicas municipais para garantir que tenha esse pagamento a esses donos de escola.”

Lucas ponderou que a apuração sobre eventuais irregularidades cabe às instituições responsáveis e afirmou que sua avaliação, naquele momento, era política.

“Eu, o Ministério Público e a Justiça que tomam conta disso, eu estou falando da política, e na política a educação de Salvador vai muito mal, sobretudo para quem mais precisa, sobretudo nos anos que as mulheres principalmente precisam mais.”

Por fim, o candidato voltou a destacar a falta de vagas na educação infantil e afirmou que Salvador apresenta um dos piores cenários entre as capitais brasileiras. “Não tem vaga em creche, nós temos o pior índice entre as capitais de educação infantil. Isso não é um grupo”, concluiu.

Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política nos portais bahia.ba e Política Ao Ponto.

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